PONTA GROSSA (PR) — Entre os dias 10 e 14 de agosto de 2026, a Comunidade Getsêmani, em Ponta Grossa (PR), acolheu a segunda semana do tradicional Retiro de Castellazzo, itinerário espiritual de 40 dias vivenciado no período do noviciado passionista. Sob o tema central da Solidão, o retiro reuniu cinco noviços e mais três participantes: padres Leudes, Norberto e José Luis. O pregador do retiro foi Dom José Roberto dos Reis, CP, bispo auxiliar da Arquidiocese de Goiânia, que conduziu os exercitandos em um mergulho na doutrina mística e espiritual de São Paulo da Cruz.
O deserto como lugar de autotranscendência e verdade
Durante os dias de recolhimento, Dom José Roberto refletiu com os participantes sobre a kenosis (o esvaziamento de si) e a “divina natividade” na experiência mística do fundador da Congregação Passionista. O bispo apresentou o deserto como um espaço espiritual de autotranscendência — um ambiente no qual caem as máscaras humanas para dar lugar ao reencontro verdadeiro com o Deus revelado em Jesus Cristo. Além da dimensão interior, a dimensão comunitária também esteve no centro das colocações. Dom José Roberto enfatizou a comunidade como um “deserto relacional”, onde se aprende a acolher e contemplar o outro em sua alteridade e beleza. Nesses dias, sublinhou-se a exigência do amor ágape, que coloca em crise as relações pautadas por interesses e desperta o vocacionado para uma vida vivida sob o primado da graça.







Maria e o compromisso com o Mistério da Paixão
A figura da Virgem Maria foi proposta como ícone exemplar de encontro e consagração a Deus, servindo de inspiração para que os noviços e religiosos abracem com renovada radicalidade os conselhos evangélicos.
Toda a semana foi permeada pelo silêncio orante, elemento essencial para escutar a voz de Deus. A experiência impulsionou os noviços a compreenderem a vocação passionista como um chamado à solidão solidária — uma atitude contemplativa que não isola do mundo, mas o abraça por meio da meditação permanente do Mistério da Paixão, mantendo viva e fiel a intuição espiritual pensada por São Paulo da Cruz.