Meditação na vigília pascal

P. Ademir Guedes Azevedo, cp.

As mulheres caminham rumo ao túmulo de Jesus. É madrugada, o ar ainda frio, e o silêncio parece pesar sobre os ombros delas. Podemos quase ouvir o som dos passos arrastados, sentir o coração apertado de quem perdeu tudo. Elas carregam a dor da morte, a sensação de derrota, o medo de que a esperança que um dia as fez sonhar tenha sido apenas ilusão. Talvez muitos de nós cheguemos hoje à Vigília Pascal com sentimentos parecidos: cansaço, desânimo, frustrações que pesam como pedras.

Mas, no meio dessa escuridão, algo inesperado acontece. Um anjo anuncia uma notícia que nenhuma delas ousaria imaginar: “O Crucificado ressuscitou!” É como se uma luz rasgasse o céu. Algo dentro delas desperta. O caminho continua o mesmo, mas elas já não caminham do mesmo jeito. E é justamente enquanto caminham, não paradas, não presas ao medo que Jesus vem ao encontro delas. A Páscoa começa assim: com um passo. A ressurreição se torna possível quando alguém, mesmo ferido, mesmo sem forças, decide não desistir. O medo paralisa, mas quem se arrisca a caminhar encontra Alguém que se coloca ao lado. As mulheres, antes tomadas pela insegurança, reencontram a coragem. E a primeira mensagem do Ressuscitado é simples e profunda: “Caminhe. E você encontrará o novo.”

Tanto o anjo quanto Jesus dizem a mesma coisa: “Ide à Galileia!” Mas por que voltar justamente para lá? Por que não permanecer perto do Templo, onde tudo parece mais seguro, mais organizado, mais religioso? Por que retornar àquele lugar pequeno, esquecido, sem prestígio? Porque a Páscoa não acontece no conforto, mas na vida concreta. A Galileia é o lugar onde tudo começou, onde Jesus viveu o seu projeto: simples, humilde, próximo dos pobres, disponível ao Pai. Um projeto que o mundo rejeitou, mas que Deus confirmou ao ressuscitá-lo. Ir à Galileia é voltar ao essencial, ao coração do Evangelho. É recordar que Jesus se encarnou no nosso chão, desceu às nossas trevas, enfrentou a cruz e venceu, não pela força, mas pela fidelidade. Agora esse projeto passa para nós. Somos nós que continuamos a história. Somos nós que carregamos a Boa Notícia de que o Crucificado vive e acredita que ainda é possível recomeçar.

E há algo que marca profundamente todos aqueles que encontram o Ressuscitado: o entusiasmo. Antes, havia medo, vergonha, fuga. Os discípulos tinham abandonado Jesus. As mulheres estavam paralisadas pela dor. Mas depois da Páscoa tudo muda. Pedro enfrenta autoridades sem tremer. As mulheres correm para anunciar. Maria Madalena, ao ouvir a voz do Ressuscitado, deixa escapar um grito cheio de amor: “Raboni!” A ressurreição provoca uma reviravolta interior. E não é justamente isso que está faltando ao nosso mundo? Não é esse entusiasmo que poderia devolver brilho aos olhos, força às mãos cansadas, coragem para continuar lutando por quem amamos? Não é esse entusiasmo que poderia nos tirar da apatia, do pessimismo, da sensação de que nada vale a pena?

O aleluia da Páscoa nos lembra que a vida tem sentido, que o sacrifício diário não é inútil, que Deus não desistiu de nós. A Páscoa de Jesus nos chama a dar o primeiro passo, a anunciar uma nova Boa Notícia aos nossos irmãos e a cultivar um entusiasmo que não deixa a vida perder o sabor. Hoje, nesta noite santa, o Ressuscitado repete a cada um de nós: “Caminhe. Volte à Galileia. Recomece. Eu estou vivo e caminho com você.”

Feliz Páscoa!