32º Domingo do Tempo Comum – Ano A

P. Ademir Guedes Azevedo, cp.

«Hoje, pelo contrário, estamos ansiosos e nossas lâmpadas são abaladas pelos ventos deste mundo» (Santo Agostinho, Sermão 93, 10.17).

Um dos maiores desafios da vida contemporânea é aprender a esperar. Vivemos sob o império da velocidade. Tudo precisa acontecer imediatamente, e a demora tornou-se quase intolerável. A mente humana, constantemente estimulada, parece ter desenvolvido uma aversão a tudo o que exige processo, perseverança e maturação. A consequência é uma ansiedade difusa que consome a paz interior e enfraquece a capacidade de discernimento.

Entretanto, a Sagrada Escritura nos propõe um caminho diferente. Ela não exalta a pressa, mas a sabedoria. Na primeira leitura (Sb 6,12-16), a Sabedoria se deixa encontrar por aqueles que a procuram com sinceridade. Seu fruto é a prudência, virtude tão esquecida em uma sociedade fascinada pelo espetáculo, pela aparência e pela satisfação imediata. Por isso, o autor sagrado afirma que quem vela por ela ficará livre de preocupações (cf. Sb 6,15).

Não se trata de uma despreocupação baseada na indiferença ou na resignação estoica. A paz do coração nasce da confiança em Deus, fundamento último da existência. A verdadeira sabedoria consiste em reconhecer que a vida não está entregue ao acaso, mas sustentada pelas mãos providentes do Senhor.

A oração coleta deste domingo segue exatamente essa direção. Pedimos a Deus que afaste de nós tudo aquilo que impede a liberdade do corpo e da alma, para que possamos servi-Lo de coração indiviso. Eis o grande combate espiritual: libertar-se das preocupações que nos aprisionam para viver na disponibilidade dos filhos de Deus.

É nesse horizonte que se compreende a parábola das dez virgens, proclamada no Evangelho (Mt 25,1-13). Todas carregam lâmpadas; todas aguardam o noivo; todas acabam adormecendo. A diferença não está no sono, mas naquilo que cada uma fez antes que ele chegasse. Cinco foram prudentes e levaram consigo uma reserva de óleo; cinco foram imprudentes e não se prepararam adequadamente para a espera.

No contexto do Evangelho de Mateus, esse óleo pode ser compreendido como a prática da justiça do Reino de Deus, ensinada e vivida pelo próprio Jesus. Afinal, foi Ele quem advertiu: «Se a vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus» (Mt 5,20). Esse óleo é a vida transformada pelo Evangelho; é o amor concretizado em obras; é a fidelidade cotidiana à vontade de Deus.

A prudência das virgens sábias consiste precisamente nisso: viver de tal modo que a demora do noivo não enfraqueça sua fidelidade. Mesmo enquanto dormiam, permaneciam preparadas, porque sua vida já estava abastecida pelo óleo da justiça.

Por essa razão, elas não podem compartilhar seu óleo com as virgens imprudentes. Não se trata de egoísmo, mas de uma profunda verdade espiritual: a comunhão dos santos existe, mas ninguém pode substituir a resposta pessoal que cada um deve dar a Deus. A decisão de viver segundo o Evangelho permanece intransferível. A justiça do Reino é cultivada no interior do coração e encarnada na história concreta de cada pessoa.

Aqui encontramos uma das lições mais importantes desta liturgia. A sabedoria é a arte de viver o tempo presente à luz da vinda futura de Cristo. Quem exercita a justiça do Reino aprende a enxergar o mundo com os olhos das bem-aventuranças. Por isso, será capaz de reconhecer também o critério definitivo apresentado pelo próprio Jesus no final deste mesmo capítulo de Mateus: o serviço aos pequenos, aos pobres, aos famintos, aos sedentos, aos estrangeiros, aos nus, aos doentes e aos presos. A vigilância cristã não é medo do julgamento, mas perseverança no amor.

Podemos dormir tranquilos quando a lâmpada da nossa vida está alimentada pelo óleo da caridade e da justiça. O problema não é o sono; o problema é chegar à noite sem óleo.

Essa mesma verdade aparece na segunda leitura. São Paulo exorta os tessalonicenses a não se deixarem dominar pela tristeza daqueles que vivem sem esperança. A morte e a ressurreição de Cristo revelam o sentido último da existência humana e se tornam fundamento da nossa confiança, tanto para os vivos quanto para os que já partiram deste mundo.

Jesus percorreu toda a sua vida nas estradas da justiça do Reino. Em sua cruz, levou essa fidelidade ao extremo do amor. Em sua ressurreição, o Pai colocou o selo definitivo sobre sua obra. Nela está a garantia de que Deus jamais abandona aqueles que perseveram na sua amizade.

Por isso, a vigilância cristã não é ansiedade diante do futuro, mas confiança perseverante. O discípulo sábio não vive inquieto, calculando o momento da chegada do Senhor. Vive preparado. Alimenta diariamente sua lâmpada com o óleo da justiça, da misericórdia e da fé. Assim, quando o Noivo chegar, seja no fim dos tempos ou no termo da própria vida, sua esperança não será confundida, e ele entrará alegremente para o banquete eterno.

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